Em uma quinta-feira, 7 de março, o pastor Marco Feliciano
foi eleito presidente da Comissão de
Direitos Humanos. Pastor da igreja Assembleia de Deus, o deputado causou
polêmicas em 2011 quando publicou em seu twitter, algumas declarações polêmicas
sobre africanos e homossexuais.

Essa eleição dividiu o povo brasileiro, entre aqueles que o apoiam e
aqueles que acreditam que Feliciano não tem legitimidade para ocupar o cargo de
presidente de uma comissão que tem como função analisar e votar projetos de
leis que tratam da proteção aos direitos humanos e das minorias. Com isso uma
grande militância contra o pastor se formou pelo país e seguiu-se uma onda de
protestos na Câmara, com o intuito de fazê-lo renunciar.
Toda esta movimentação está dando resultado, tamanha a pressão
que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse nesta
quinta-feira (21) que a eleição do deputado Pastor Marco Feliciano tornou-se “insustentável”
e que tomará uma decisão definitiva acerca de sua permanência até a próxima
terça-feira.
Acho importante que essas manifestações tenham ocorrido,
sou contra a permanência de Feliciano no cargo, mas essa história apenas me fez
pensar. Por que todos se escandalizaram tanto? Não é a primeira vez, e nem será
a última, que um homem de moral questionável ocupa um cargo de importância no
Brasil. A exemplo, posso citar a própria eleição do presidente da câmara
Henrique Alves, acusado de utilizar recursos públicos para campanhas de
promoção pessoal, que foi considerado provado por um tribunal de primeira
instância, em maio de 2011, que suspendeu seus direitos políticos por três
anos. Na prática, essa suspensão lhe impediria de ocupar ou ser candidato a
qualquer cargo público, mas como estamos no Brasil e nada funciona direito...
Mas a grande pergunta que fica é: por que não ouvi o
barulho de nenhum protesto quanto a sua eleição como presidente da Câmara dos
Deputados? Um cargo que, supostamente deveria ser ocupado por um homem íntegro,
sem qualquer pendência na justiça. Seria tão maravilhoso ver a mesma energia
empregada para pressionar Marco Feliciano, fosse também usada contra tantos
outros corruptos e desonestos que ocupam cargos públicos, como Aline Correa
(PP-SP), Fernando Collor de Melo (PTB-AL) e tantos outros que envergonham o
povo brasileiro, que permanece alheio a tudo isso, sem nada fazer ou pouco se importarem.
Além do mais, acredito que os protestos que com tanto
afinco foram dedicados contra Marco Feliciano, querendo ou não, ajudaram a
alavancar sua fama como político. Em um país ainda tão conservador como o
Brasil, onde as minorias são vistas com maus olhos por boa parte da população,
não fica difícil encontrar aqueles que apoiam Feliciano. Se ele for esperto o bastante,
poderá muito bem aproveitar a visibilidade recém-adquirida para candidatar-se a
cargos ainda mais elevados, utilizando o argumento da grande perseguição que o “povo
de deus” sofre dos imorais pecadores defensores dos gays.
Agora por fim, o que mais me irrita profundamente neste
caso, é o fato de que pessoas como Érika Kokai (PT – acusada de elevada estranha movimentação de conta bancária),
Domingos Dutra (PT – comportamento dúbio, falso)
e Chico Alencar (PSOL – acusado de fraude em verba indenizatória)
aproveitarem o embalo de uma causa nobre, como a luta na defesa dos direitos
humanos, para se promoverem e saírem como bonzinhos e heróis ao criarem a
chamada Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos. Gostaria de lembrar
a estes senhores, que o respeito ao ser humano começa em não agir de má fé com os outros, começa no altruísmo e na bondade com o próximo. Começa em não aproveitar de um cargo público e de confiança, para agir egoisticamente em benefício próprio.
Sem mais.
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Vinícius é o criador do Política Paralítica, que acabou se tornando Louca Consciência. Seus assuntos preferidos são: política, jogos e religião! Ele também gosta de falar muito sobre si mesmo na 3ª pessoa. Pois é! |
